As Origens do Perfume
(por Paulo Filho)
Quando se fala em origem
do perfume, onde ele nasceu, nos vem a mente o Egito. A ideia não está de todo
errada visto que há numerosas evidências arqueológicas da importância do uso de
perfumes na sociedade egípcia. Mas olhando mais profundamente, os historiadores
e arqueólogos encontraram evidências mais antigas ainda, no período Neolítico,
na Mesopotâmia, berço das primeiras cidades da humanidade, da fabricação e uso
de perfumes.
De acordo com baixos-relevos encontrados na
região, os primeiros fabricantes de perfumes foram mulheres. Isso mesmo,
mulheres. Acredita-se que por serem retratadas nesses baixos-relevos, elas
tinham um papel social de destaque junto a nobreza e a classe sacerdotal da
época, visto que perfumes tinham fortes vínculos com a religião.
Então é possível afirmar
que os primeiros perfumistas da História eram mulheres.
Sabe-se também que as
mulheres desenvolveram os primeiros métodos de fabricação de perfumes, tanto na
forma de incenso, como de óleos e unguentos. Isso é atestado também através de
vestígios arqueológicos encontrados em restos de recipientes com forma
zoomórfica de gesso, clorito (um mineral de coloração verde) e cerâmica. O
material envolvido na fabricação dos perfumes eram ervas, especiarias e
madeiras, algumas até que não eram originárias da região.
Hoje sabemos que as
primeiras cidades da Mesopotâmia foram construídas à beira dos rios Tigre e
Eufrates, o que facilitou o comércio e a importação desses materiais. No auge
do desenvolvimento da civilização na Mesopotâmia, com o Império Persa, tendo a
cidade da Babilônia como uma das mais importantes da época, os perfumes eram
usados para perfumar o ambiente de palácios e templos, na higiene pessoal, como
óleos para perfumar e dar forma às barbas muito comuns entre os nobres persas,
acrescentados à bebidas para realçar o aroma das mesmas e até mesmo em uso
medicinal através de fumigação (aplicação de vapores) de determinadas partes do
corpo para curá-las.
A maquiagem também foi
um item a parte desenvolvido pelos persas.
Como o perfume e a
religião estavam intimamente ligados, os locais de fabricação de perfumes eram
os templos. Neles eram fabricados perfumes destinados ao uso da nobreza e
também para festividades religiosas e adoração dos deuses.
Esses perfumes em
especial eram usados somente para essa finalidade. A civilização egípcia,
posterior a mesopotâmica, mantinha laços comerciais com os persas e assimilaram
e desenvolveram mais ainda o uso e a fabricação de perfumes, tornando-se
conhecidos por isso. Mas foi Alexandre o Grande que, ao conquistar o Império
Persa, difundiu pelo mundo o hábito do uso de perfumes, hábito que perdura até
hoje.
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